Revisão de Juros Abusivos: Quando o banco passa do limite?
- Yanna Raissa Couto
- 26 de jan.
- 2 min de leitura

Você já sentiu que, mesmo pagando direitinho seu empréstimo ou financiamento, a dívida parece não diminuir? Ou então, ao final do contrato, percebe que pagou muito mais do que o valor que pegou emprestado? Isso pode ser um sinal de juros abusivos, uma prática que infelizmente ainda é comum no mercado financeiro.
Neste artigo, quero te explicar de forma simples o que são esses juros abusivos, como identificá-los e, principalmente, quais são os seus direitos como consumidor bancário.
O que são juros abusivos?
Juros abusivos são taxas cobradas acima do razoável ou sem transparência, o que pode tornar o contrato injusto e prejudicial para o consumidor. Apesar de as instituições financeiras terem liberdade para definir seus juros, essa liberdade não é ilimitada. Ela precisa respeitar os princípios da boa-fé, equilíbrio e informação clara, como determina o Código de Defesa do Consumidor.
Na prática, os juros se tornam abusivos quando:
Estão muito acima da média do mercado;
São aplicados sem que o consumidor tenha sido informado adequadamente;
Estão embutidos com outras cobranças escondidas no contrato;
São cobrados de forma composta (juros sobre juros) sem que isso esteja claro no contrato.
Como identificar se estou pagando juros abusivos?
Aqui vão alguns sinais de alerta:
✔️ Você pegou um valor emprestado, mas no final do contrato vai pagar mais que o dobro? ✔️ As parcelas estão muito altas, mesmo com um valor de crédito pequeno? ✔️ Não consegue entender como a dívida aumentou, mesmo pagando em dia? ✔️ O contrato é difícil de entender, cheio de siglas e sem explicações claras?
Se a resposta for “sim” para uma ou mais dessas perguntas, vale a pena investigar melhor.
Você pode consultar a taxa média de juros praticada pelos bancos no site do Banco Central do Brasil. Se os juros do seu contrato estiverem muito acima da média, isso pode indicar abusividade.
Capitalização mensal de juros: o que é isso?
Um termo que aparece bastante em contratos bancários é a capitalização mensal. Isso significa que os juros são cobrados sobre os juros anteriores, mês a mês. Essa prática só pode ser usada se estiver muito clara e destacada no contrato.
Se não houver explicação clara ou se o consumidor não foi informado corretamente, essa cobrança pode ser considerada indevida e pode ser revista.
Quais são os seus direitos como consumidor?
O consumidor bancário tem direito a:
Informações claras e precisas sobre tudo o que está sendo cobrado;
Ter acesso ao contrato completo e ao demonstrativo da dívida;
Contestar cobranças abusivas e pedir a revisão do contrato;
Buscar a redução dos valores cobrados indevidamente;
Ser protegido contra práticas que coloquem o consumidor em desvantagem excessiva.
Se for identificado excesso nos juros, é possível entrar com uma ação revisional para ajustar o contrato, reduzir o valor das parcelas, eliminar cobranças indevidas e até recuperar valores pagos a mais.
Conclusão
Nem todo contrato bancário é abusivo, mas muitos acabam sendo injustos por falta de clareza, excesso de juros ou práticas escondidas. Por isso, é fundamental que o consumidor entenda o que está assinando, e mais importante: saiba que tem direito de questionar o que é abusivo.
Se você desconfia que está pagando mais do que deveria, não ignore os sinais. Busque orientação de um advogado de sua confiança e proteja seus direitos.
O seu contrato pode – e deve – ser justo.





Comentários